terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Teoria das vantagens comparativas

Teoria das vantagens comparativas

Entre as teorias do comércio internacional assume particular relevância a teoria das vantagens comparativas. A teoria das vantagens absolutas não é explicitamente referida no texto, mas está implícita no caso mais simples, em que refere que "o homem da rua não precisará de qualquer economista". SAMUELSON não referiu esta "teoria" porque a identificou com o "bom senso".

Com o objectivo de representar graficamente a teoria das vantagens comparativas (SAMUELSON, Economia, Edição de 1981) vamos admitir adicionalmente que a América dispõe de 5.000 horas de trabalho e a Europa de 12.000.
Então se a América quiser produzir apenas alimentos (vestuário) poderá produzir 5.000 (2.500) unidades; estes dois pontos definem a fronteira de possibilidades de produção da América – FPP A.
Se a Europa quiser produzir apenas alimentos (vestuário) poderá produzir 4.000 (3.000) unidades; estes dois pontos definem a fronteira de possibilidades de produção da Europa – FPP E.
Na ausência de comércio internacional cada país pode produzir e consumir em qualquer dos pontos da respectiva FPP, que também representa a respectiva FPC (fronteira de possibilidades de consumo); qualquer ponto exterior a estas fronteiras seria preferível, mas permanece inacessível.

A abertura do comércio internacional determina a especialização da América na produção de alimentos, produzindo 5.000 unidades em PA, e a especialização da Europa na produção de vestuário, produzindo 3.000 unidades em PE.

Suponha-se que ao preço 0,(6) a América exportaria 3.000 unidades de alimentos com as quais importaria 2.000 unidades de vestuário da Europa.

O novo ponto de consumo da América seria determinado por 2.000 unidades de vestuário e 2.000 unidades de alimentos, em CA,

Na nova situação a Europa consumiria 1.000 unidades de vestuário e 3.000 unidades de alimentos, em CE.

O comércio internacional foi vantajoso para ambos os países porque os respectivos pontos de consumo, CA e CE, são exteriores às suas FPC iniciais. Como em ambos os países foi possível chegar a pontos de consumo que proporcionam maior bem-estar, com o mesmo custo, isto significa que os recursos ficaram empregues de uma forma mais eficiente.


I
Admita uma nova situação na qual a América troca 2.000 unidades de alimentos por 2.000 vestuário.
1. Determine os novos pontos de consumo da América e da Europa.




O ponto do consumo de da America é os 5000-3000=2000
O ponto do consumo da Europa é os 3000-2000=1000


2. Verifique que se trata de uma solução injusta para uma das partes porque o preço dos alimentos relativamente ao vestuário se situa fora do intervalo 0,5 (isto é, ½) a 0,75 (isto é, ¾).
3. Construa o gráfico que ilustra esta situação no Paint.

II
Explicite as vantagens da teoria das vantagens comparativas relativamente à teoria das vantagens absolutas.
A America tinha vantagens no vestuário e no alimento, mas não tinha vantagem no comercio internacional. Pensava num bem de cada vez.
Foi preciso vir o Ricardo demostrar que ambos dos pontos de visão estão errados.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Processo de integração económica

Sabe bem pagar tão pouco de impostos

No último post provavelmente estranhaste a ideia de Jean-Claude Trichet, de um Ministério das Finanças Europeu. Felizmente já ouviste falar do caso "Pingo Doce" para compreender que a os países da União Monetária não poderão ter políticas fiscais muito diferenciadas, sob o risco de todas as empresas estudarem engenharia financeira para verificarem onde podem pagar menos.

Este "planeamento fiscal" é particularmente injusto porque o factor trabalho não dispõe da mesma opção. Acresce que caiu a pintura a Soares dos Santos que para promover o Pingo Doce andava a fazer publicidade dando ao país lições de patriotismo. Por isso o assunto espalhou-se pelas redes sociais.


A imprensa económica não lhe critica a racionalidade das decisões, porque grande parte das empresas que estão cotadas no principal índice da Euronext Lisboa fazem o mesmo.

1. Em entrevista ao EXPRESSO, Soares dos Santos justificou por que motivos se sentiu injustamente atacado.
Apresenta dois.
Tenho o direito de defender o meu património.
A iniciativa privada nunca foi nada de que português gostasse. Mas o que não aceito são os ataques pessoais.Principalmente alguns comentários que são baseados em mentiras.
 
2. Apesar de a decisão de Soares dos Santos ser economicamente racional, ser legal, e corresponder rigorosamente ao comportamento de outros grupos grupos económicos, observa que continua ser moralmente criticável.
continua a ser normalmente criticável porque para pagar os impostos ele não é português, mas para fazer publicidade ele é.

3. "O erro do Brasil só foi estudado em 2010 porque o trauma foi muito grande. Por isso recorri a um professor português do MIT e do INSEAD..."
Justifica a propensão comum à generalidade dos empresários de recorrem a economistas depois de terem passado por algum "susto". Os principais erros é que não tinhamos recursos humanos para lidar ao mesmo tempo com um país com quase 40 milhões de habitantes e o estado de São Paulo, com 20 milhoes, a conclusão que ele chegou foi que a JM e a sociedade Francisco Manuel dos Santos tinham de se separar.
 
4. Extrai da entrevista três motivos que poderão levar os empresários portugueses a preferir pagar impostos na Holanda.  Os três motivos são: Porque a Holanda é o país que melhores garantias oferece a iniciativa privada, muito por causa dos acordos que tem com outros países, não só na dupla tributação mas também na proteção de investimentos.

5. Verifica que Soares dos Santos procura abstrair-se de questões emocionais, justificando a sua responsabilidade "profissional".
" Não, porque a minha responsabilidade é gerir o dinheiro dos acionistas. Eu estou a gerir não só o meu dinheiro mas também o dinheiro dos outros."

6. Se a generalidade dos empresários portugueses não acreditasse na hipótese de Portugal no Euro, e deslocalizasse as suas actividades, que consequências imediatas teria essa atitude sobre a economia portuguesa?
Em que medida a proposta de Jean-Claude Trichet, de "um futuro ministério das finanças europeu seria responsável por supervisionar a vigilância tanto das políticas fiscais como das políticas de competitividade (..)" resolveria os problemas da economia portuguesa?